quinta-feira, 31 de maio de 2007

Superpoderosas e o consumismo

Está no artigo do Demétrio Magnoli no Globo e no Estado: o desenho das Meninas Superpoderosas não receberá o selo de Programa Especialmente Recomendado para Crianças e Adolescentes. O diretor-adjunto do Departamento de Justiça e Classificação Indicativa (Dejus), Tarcísio Ildefonso, não aprova que as meninas confraternizem num shopping center. "Este gesto é segregacionista, já que nem todos podem fazer compras em shopping, além de ser um estímulo ao consumismo". Como diz Thomas "O Filtro" Traumann, o homem só pode estar a serviço do Macaco Loco...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Dez passos pra trás

E, como já se esperava, o dano causado pelo acordo da Planeta com o Roberto Carlos, na proibição da biografia escrita por Paulo César de Araújo, vai muito além do causado ao autor. As editoras ficam mais cautelosas e se recusam a publicar novos textos, diz o Estadão de sábado. Como a legislação é dúbia, pode-se perder muito dinheiro defendendo um autor na Justiça quando um dos herdeiros ou o próprio biografado resolve encrencar "com uma frase, uma vírgula", como disse a Luciana Villas-Boas. Eu fico triplamente injuriada: como jornalista, porque isso só atrapalha o trabalho de todo mundo; como leitora, porque vou perder a chance de ler biografias legais, que nem imagino quais sejam, porque foram recusadas; e como autora de uma biografia em processo de publicação. É ruim pra todo mundo, uma regressão, um atraso. É o Bananão em sua expressão máxima.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

arte & conceitos


O Udi falou em seu blog sobre o código de barras pintado nas ruas de Porto Alegre. Interessante, pensei. E só. Porque, realmente, que mais pode ser? "Revolucionário"? "Genial"? "Transgressor"? ("Sexy", amor? Desculpa, não dá). Uahh, tenho tanto soninho dessa coisa de arte conceitual. Videoarte - quem realmente pára pra ver os videozinhos numa Bienal? (Os outros "videomakers", suponho, pra prestigiar). Arte de rua, arte que precisa de legenda. Sono, sono, sono.

As imagens têm mais sentido, significação, vertical - têm mais punch de uma vez só, são um soco no estômago. Por outro lado, carecem de significação horizontal. É aquela velha história do Millôr (é do Millôr?): "Uma imagem vale mais que mil palavras. Agora tente dizer isso com uma imagem". Conceitos são melhor transmitidos por palavras, não tem jeito. Não vai ter o punch, mas é o único jeito de atingir certas complexidades, certos nós de pensamento, certas lógicas. Mas aí vêm essas pessoas que acham que arte é pra arrebanhar cérebros para uma causa e fazem desenhos (ou esculturas. ou instalações.) que são absolutamente incompreensíveis sem as legendinhas.

Às vezes são até desenhos bonitinhos, como os do Leonilson, que vimos na Estação Pinacoteca na semana passada. Bonitinhos, delicados. Inofensivos. Uns desenhos meiguinhos cheio de palavras contra o sistema, uma metralhadora giratória de brinquedo atirando contra a Igreja, a polícia, o governo, a Madonna... Até a Madonna! Bem, dá uma certa preguiça, sim. É claro que tem um certo impacto olhar um prédio de vinte andares, sei lá, embrulhado pra presente, mas se for pra me fazer pensar, prefiro um bom livro de Filosofia. Que, aliás, não ando lendo. Muito soninho, sabe?

terça-feira, 22 de maio de 2007

Chá amargo

Ontem assistimos a O último chá do General Yen, do Frank Capra. Eu já gostava do Capra e de suas comédias meigas, como o Galante Mr. Deeds, Aconteceu naquela noite e A felicidade não se compra. Gosto dos diálogos, do modo de filmar, da ironia fina e da delicadeza com que trata de temas morais e da relação entre as pessoas. Acostumada com essas comédias delicadas, estranhei um pouco o clima de O Último chá... O filme se passa em plena guerra civil chinesa. A missionária Megan Davis vai para a China se casar com seu amor de infância, o não menos engajado Dr. Strike. No dia em que ela chega, e em que os dois deveriam se casar, as crianças de um orfanato correm perigo e Megan vai junto com o marido salvá-las. Na confusão, Megan leva uma pancada e desmaia, sendo resgatada pelo General Yen, o frio, sarcástico e impiedoso general Yen, que a leva para sua casa de campo, determinado a conquistá-la. O embate entre Megan e o general representa o embate entre duas culturas diferentes, quase opostas. A tensão é inevitável. Bem diferente do clima ameno das screwball comedies que eu estava acostumada a ver. E o motivo é o fracasso que o filme, lançado em 1933, fez na época. A sociedade se escandalizou com a possibilidade de diálogo e intimidade entre uma moça branca e um oriental. A partir daí, Capra teve que fazer filmes de orçamentos mais modestos e se manter longe dos temas sérios e polêmicos. Não sei se isso é bom ou ruim, já que as comédias são realmente adoráveis, mas talvez a carreira dele tivesse sido outra. De qualquer forma, é um belo filme, muito bem feito. Os clichês das duas culturas funcionam mais como críticas do que como maquiagem; nenhum personagem é totalmente bom ou mau, exceto, talvez, o enfadonho Dr. Strike. Vale uma espiada.

3 mil resenhas

O Universo HQ, site em que o Udi é um dos principais colaboradores, ultrapassou a marca de 3 mil resenhas. Para comemorar, 26 resenhas sobre álbuns especiais foram colocadas no ar. Não entendo muito de quadrinhos, mas o número é impressionante sobre qualquer prisma que se avalie. Eu, por vias indiretas, vejo a dedicação do pessoal do site para que ele seja o melhor e mais completo banco de dados sobre quadrinhos do Brasil. Não tem uma semana em que o Udi não leia vários títulos para resenhar, e ele não é o único. Vale uma salva de palmas para a turma toda.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Love to say I told you so...

A biografia do Roberto Carlos, que a editora Planeta vergonhosamente concordou em tirar de circulação, entrou para a lista dos mais vendidos essa semana. A polêmica causada pelo rei, que se revelou um grande reacionário, ajudou a impulsionar as vendas do livro que ele queria tirar de circulação a qualquer custo. Ele conseguiu, mas a reação não tardou; não só na compra dos livros, como na divulgação do texto integral na internet. E não era óbvio que isso ia acontecer?

P.S.

Udi faz uma retificação: seu comentário correto seria "por que ele não faz mais filmes e fica só sendo comentarista de tv?".

Tudo bem, Jabor

Ontem assistimos a Tudo bem, filme do Arnaldo Jabor. O Udi jura que eu que quis alugar, quando na verdade eu nem sabia que esse filme existia. OK, minha memória não vale um copo d'água, e eu fico sempre sem argumentos nessas horas. De qualquer forma, eu estava super com birra do filme. Não costumo gostar de cinema nacional, só mesmo dos mais novos, pós Cidade de Deus. E também não vou lá muito com a cara do Jabor. É, birras e preconceitos, não vi, não gostei. Por que se a gente vê, pode acabar gostando.

E ontem eu gostei do tal Tudo bem. É engraçado, os atores são todos bons (a Fernanda Montenegro é uma chata exagerada, pelo menos nesse filme, mas os outros são excelentes: Paulo Gracindo, Regina Duarte e a turma do Asdrúbal Trouxe o Trombone, Stênio Garcia, Fernando Torres, Zezé Mota e até o Paulo César Peréio), fala do Brasil e do nacionalismo de um jeito diferente, com humor e ironia na dose certa. Pensei que não haveria alma, que o Jabor seria cabeça demais fazendo filme (meio que nem Orson Welles, um grande virtuoso mas que não toca muito, ao menos não a mim. Você olha e diz uau, olha isso que ele fez, mas não se sente especialmente emocionado), mas até que conseguiu apertar um ou dois botões internos. A esposa ciumenta e neurótica, que imagina amantes para o marido, que vive afundado no passado, feliz com seus fantasmas, os pedreiros (um deles vivido esplendidamente por Stênio Garcia) acrescentando "vida real" para a coisa toda já seriam muito legais. Os toques de surrealismo quase felliniano, no tocador de viola pai de um dos pedreiros, no vazamento no banheiro, e nas empregadas, uma prostituta e outra santa, deixam o filme mais saboroso. Gostei. Como disse o Udi, por que diabos o Jabor parou de fazer filmes pra dar pitacos na TV?

* Lançado originalmente em 1978, Tudo bem foi remasterizado no ano passado e exibido na Mostra Internacional de São Paulo. As mudanças agradam Jabor, porque na época da filmagem a grana era curta e o resultado teria ficado aquém do roteiro escrito em parceira com Leopoldo Serran.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Clap Your Hands agréde, agréde pra caralho

Dito isso, posso falar a verdadeira razão pela qual iniciei esse blog. Eu precisava dizer que a voz do vocalista do Clap Your Hands Say Yeah é irritante. Deus, é muito. Não sei se o resto é bom, porque ele sempre desvia minha atenção totalmente, me fazendo recitar uma espécie de mantra: como é irritante, como é irritante, como é irritante... Eu fico aparvalhada e embasbacada e nem consigo adiantar para a próxima música no meu Creative. A voz do cara agréde, agréde pra caralho.

Ufa. É bom desabafar.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa...

Algumas coisas precisam ser ditas. Ou melhor: eu, particularmente, sinto a necessidade de dizer certas coisas, às vezes. O que vem a dar exatamente no mesmo. De qualquer forma, esse espaço é para isso. Para as coisas que não cabem entre eu e o travesseiro. Juízos de valor (com e sem fundamento), incongruências (coerência é coisa de gente medíocre), opiniões, idéias. O que penso sobre livros, filmes, discos, seriados, reportagens e da nobre e trágica condição humana. As literatices e literaturas ficam no Metâmeros, meu filhote atualizado sempre que a musa antiga canta. E é isso aí.