sexta-feira, 25 de maio de 2007

arte & conceitos


O Udi falou em seu blog sobre o código de barras pintado nas ruas de Porto Alegre. Interessante, pensei. E só. Porque, realmente, que mais pode ser? "Revolucionário"? "Genial"? "Transgressor"? ("Sexy", amor? Desculpa, não dá). Uahh, tenho tanto soninho dessa coisa de arte conceitual. Videoarte - quem realmente pára pra ver os videozinhos numa Bienal? (Os outros "videomakers", suponho, pra prestigiar). Arte de rua, arte que precisa de legenda. Sono, sono, sono.

As imagens têm mais sentido, significação, vertical - têm mais punch de uma vez só, são um soco no estômago. Por outro lado, carecem de significação horizontal. É aquela velha história do Millôr (é do Millôr?): "Uma imagem vale mais que mil palavras. Agora tente dizer isso com uma imagem". Conceitos são melhor transmitidos por palavras, não tem jeito. Não vai ter o punch, mas é o único jeito de atingir certas complexidades, certos nós de pensamento, certas lógicas. Mas aí vêm essas pessoas que acham que arte é pra arrebanhar cérebros para uma causa e fazem desenhos (ou esculturas. ou instalações.) que são absolutamente incompreensíveis sem as legendinhas.

Às vezes são até desenhos bonitinhos, como os do Leonilson, que vimos na Estação Pinacoteca na semana passada. Bonitinhos, delicados. Inofensivos. Uns desenhos meiguinhos cheio de palavras contra o sistema, uma metralhadora giratória de brinquedo atirando contra a Igreja, a polícia, o governo, a Madonna... Até a Madonna! Bem, dá uma certa preguiça, sim. É claro que tem um certo impacto olhar um prédio de vinte andares, sei lá, embrulhado pra presente, mas se for pra me fazer pensar, prefiro um bom livro de Filosofia. Que, aliás, não ando lendo. Muito soninho, sabe?

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