sexta-feira, 18 de maio de 2007

Tudo bem, Jabor

Ontem assistimos a Tudo bem, filme do Arnaldo Jabor. O Udi jura que eu que quis alugar, quando na verdade eu nem sabia que esse filme existia. OK, minha memória não vale um copo d'água, e eu fico sempre sem argumentos nessas horas. De qualquer forma, eu estava super com birra do filme. Não costumo gostar de cinema nacional, só mesmo dos mais novos, pós Cidade de Deus. E também não vou lá muito com a cara do Jabor. É, birras e preconceitos, não vi, não gostei. Por que se a gente vê, pode acabar gostando.

E ontem eu gostei do tal Tudo bem. É engraçado, os atores são todos bons (a Fernanda Montenegro é uma chata exagerada, pelo menos nesse filme, mas os outros são excelentes: Paulo Gracindo, Regina Duarte e a turma do Asdrúbal Trouxe o Trombone, Stênio Garcia, Fernando Torres, Zezé Mota e até o Paulo César Peréio), fala do Brasil e do nacionalismo de um jeito diferente, com humor e ironia na dose certa. Pensei que não haveria alma, que o Jabor seria cabeça demais fazendo filme (meio que nem Orson Welles, um grande virtuoso mas que não toca muito, ao menos não a mim. Você olha e diz uau, olha isso que ele fez, mas não se sente especialmente emocionado), mas até que conseguiu apertar um ou dois botões internos. A esposa ciumenta e neurótica, que imagina amantes para o marido, que vive afundado no passado, feliz com seus fantasmas, os pedreiros (um deles vivido esplendidamente por Stênio Garcia) acrescentando "vida real" para a coisa toda já seriam muito legais. Os toques de surrealismo quase felliniano, no tocador de viola pai de um dos pedreiros, no vazamento no banheiro, e nas empregadas, uma prostituta e outra santa, deixam o filme mais saboroso. Gostei. Como disse o Udi, por que diabos o Jabor parou de fazer filmes pra dar pitacos na TV?

* Lançado originalmente em 1978, Tudo bem foi remasterizado no ano passado e exibido na Mostra Internacional de São Paulo. As mudanças agradam Jabor, porque na época da filmagem a grana era curta e o resultado teria ficado aquém do roteiro escrito em parceira com Leopoldo Serran.

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