terça-feira, 26 de junho de 2007

A arte de adiar

“Procrastination is the art of keeping up with yesterday.”

Don Marquis
(1878-1937), escritor americano, um gênio das frases.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Vai um lanchinho?

E em época de snack culture, nem sempre as pessoas querem ler resenhas grandes e aprofundadas sobre todos os livros, filmes, discos que saem. Eu, de qualquer modo, não quero. E nem sempre quero escrevê-las, também. (Porque nem todo filme vale uma resenhora, né?) Esse vai ser uma snack seção, então, sobre alguns filmes - ou livros, ou discos - que andei vendo nos últimos tempos. Não só lançamentos, mas velharias em geral também.

Pecados íntimos: todo mundo viu um ano atrás, mas eu só fui assistir mesmo agora. Não é tão legal quanto eu pensava, e olha que eu não pensava grande coisa. Tem méritos: retratar a deprimente e sufocante condição das donas-de-casa americanas, que, em nome do bem-estar da família e dos bem-amados filhos, abdicam de emprego, rendimentos e, principalmente, da realização pessoal para ficar em casa, contando os minutos para a hora do lanchinho dos pequenos. (Falo mais sobre isso depois, sobre minhas recentes descobertas betty-friedanianas e de como tantas mulheres ainda se deixam enganar por esses estereótipos da família de comercial de margarina). Afora isso, achei o filme um pouco moralista, da mesma maneira que Anna Karenina e Madame Bovary podem ser considerados moralistas. Quando se pensa que o filme vai dar um pau nesse modo de vida, ele retrocede e, de certa forma, o louva. As pessoas simplesmente se redimem de seus "pecados" e seguem em frente. Ah, isso não é um spoiler, é? :P

Fitzcarraldo: podem me chamar de ignorante, mas eu nunca tinha assistido. E eu não sabia o que esperar de um filme que junta os brasileiros José Lewgoy e Grande Othelo, a italiana-sempre-musa Claudia Cardinale, o polonês com jeitão de alemão Klaus Kinski, um monte de peruanos, índios e não-índios, e pessoas de nacionalidades (latinas) diversas, sob a direção de Werner Herzog. É um filme sobre um integrante daquela espécie rara de grandes homens, do tipo Howard Hughes, do qual Fitzcarraldo se diferencia apenas pelo sucesso do primeiro em realizar seus feitos delirantes e megalomaníacos, enquanto a versão herzoguiana do gênio incompreendido não consegue realizar nenhum de seus sonhos delirantes e grandiosos. E, é claro, porque Howard Hughes existiu mesmo, enquanto Fitzcarraldo é érsonagem de ficção, embora baseado em uma pessoa de verdade. No filme, ele é o irlandês amalucado que vai morar em Iquitos, no Peru, e, depois de ir à falência tentando construir uma ferrovia no local, decide montar um teatro de ópera no meio da selva. Ele é ridicularizado, enfrenta índios assassinos e situações esdrúxulas para conseguir atravessar seu navio por cima de uma montanha para realizar seu intento. O navio sendo puxado ao som de Caruso é algo. Não sei bem o que pensar, de fato. Mas acho que é daqueles filmes que não se precisa pensar algo a respeito: é apenas necessário assistir.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Algumas coisas nunca mudam

"Quando Dolan recebeu a chamada para se apresentar na sala do editor-chefe, sabia que isso significava o fim, e, durante todo o tempo em que subiu as escadas, só ruminava uma idéia: já não havia mais colhões no jornalismo atual. Ah, como gostaria de estar vivendo na época dos editores Dana e Greeley, quando um jornal era um jornal e chamava um filho-da-puta de filho-da-puta, e que fosse para o diabo! Deve ter sido ótimo ser um repórter num desses jornais antigos. Não como agora, quando o país estava cheio de pequenos editores semelhantes a Hearst e MacFaddens, tocando tambores e se embandeirando em todos os jornais e dizendo que Mussolini era um novo César (só que com aviões e gases venenosos) e Hitler era outro Frederico, o Grande (só que com tanques e piromaníacos homossexuais), e vendendo patriotismo com descontos e não ligando para mais nada a não ser os números de circulação. (Cavalheiros, sentimos muito que não possamos emprestar nossos caminhões esta tarde para tirar o butim da Prefeitura, mas simplesmente precisamos entregar nossa edição no final da noite. Depois das seis da tarde ficaremos felizes em deixar os caminhões com os senhores. Ou: oh, sim, sr. delancey, entendemos perfeitamente: aquelas duas mulheres apareceram na frente do carro do seu filho. Oh, sim, senhor, hahahahaha! Aquele cheiro de álcool no seu filho vinha de alguém ter derrubado um coquetel no terno dele.)"

1° parágrafo de Mortalha não tem bolso, de Horace McCoy. 1ª edição: 1937.