quarta-feira, 6 de junho de 2007

Algumas coisas nunca mudam

"Quando Dolan recebeu a chamada para se apresentar na sala do editor-chefe, sabia que isso significava o fim, e, durante todo o tempo em que subiu as escadas, só ruminava uma idéia: já não havia mais colhões no jornalismo atual. Ah, como gostaria de estar vivendo na época dos editores Dana e Greeley, quando um jornal era um jornal e chamava um filho-da-puta de filho-da-puta, e que fosse para o diabo! Deve ter sido ótimo ser um repórter num desses jornais antigos. Não como agora, quando o país estava cheio de pequenos editores semelhantes a Hearst e MacFaddens, tocando tambores e se embandeirando em todos os jornais e dizendo que Mussolini era um novo César (só que com aviões e gases venenosos) e Hitler era outro Frederico, o Grande (só que com tanques e piromaníacos homossexuais), e vendendo patriotismo com descontos e não ligando para mais nada a não ser os números de circulação. (Cavalheiros, sentimos muito que não possamos emprestar nossos caminhões esta tarde para tirar o butim da Prefeitura, mas simplesmente precisamos entregar nossa edição no final da noite. Depois das seis da tarde ficaremos felizes em deixar os caminhões com os senhores. Ou: oh, sim, sr. delancey, entendemos perfeitamente: aquelas duas mulheres apareceram na frente do carro do seu filho. Oh, sim, senhor, hahahahaha! Aquele cheiro de álcool no seu filho vinha de alguém ter derrubado um coquetel no terno dele.)"

1° parágrafo de Mortalha não tem bolso, de Horace McCoy. 1ª edição: 1937.

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