segunda-feira, 18 de junho de 2007

Vai um lanchinho?

E em época de snack culture, nem sempre as pessoas querem ler resenhas grandes e aprofundadas sobre todos os livros, filmes, discos que saem. Eu, de qualquer modo, não quero. E nem sempre quero escrevê-las, também. (Porque nem todo filme vale uma resenhora, né?) Esse vai ser uma snack seção, então, sobre alguns filmes - ou livros, ou discos - que andei vendo nos últimos tempos. Não só lançamentos, mas velharias em geral também.

Pecados íntimos: todo mundo viu um ano atrás, mas eu só fui assistir mesmo agora. Não é tão legal quanto eu pensava, e olha que eu não pensava grande coisa. Tem méritos: retratar a deprimente e sufocante condição das donas-de-casa americanas, que, em nome do bem-estar da família e dos bem-amados filhos, abdicam de emprego, rendimentos e, principalmente, da realização pessoal para ficar em casa, contando os minutos para a hora do lanchinho dos pequenos. (Falo mais sobre isso depois, sobre minhas recentes descobertas betty-friedanianas e de como tantas mulheres ainda se deixam enganar por esses estereótipos da família de comercial de margarina). Afora isso, achei o filme um pouco moralista, da mesma maneira que Anna Karenina e Madame Bovary podem ser considerados moralistas. Quando se pensa que o filme vai dar um pau nesse modo de vida, ele retrocede e, de certa forma, o louva. As pessoas simplesmente se redimem de seus "pecados" e seguem em frente. Ah, isso não é um spoiler, é? :P

Fitzcarraldo: podem me chamar de ignorante, mas eu nunca tinha assistido. E eu não sabia o que esperar de um filme que junta os brasileiros José Lewgoy e Grande Othelo, a italiana-sempre-musa Claudia Cardinale, o polonês com jeitão de alemão Klaus Kinski, um monte de peruanos, índios e não-índios, e pessoas de nacionalidades (latinas) diversas, sob a direção de Werner Herzog. É um filme sobre um integrante daquela espécie rara de grandes homens, do tipo Howard Hughes, do qual Fitzcarraldo se diferencia apenas pelo sucesso do primeiro em realizar seus feitos delirantes e megalomaníacos, enquanto a versão herzoguiana do gênio incompreendido não consegue realizar nenhum de seus sonhos delirantes e grandiosos. E, é claro, porque Howard Hughes existiu mesmo, enquanto Fitzcarraldo é érsonagem de ficção, embora baseado em uma pessoa de verdade. No filme, ele é o irlandês amalucado que vai morar em Iquitos, no Peru, e, depois de ir à falência tentando construir uma ferrovia no local, decide montar um teatro de ópera no meio da selva. Ele é ridicularizado, enfrenta índios assassinos e situações esdrúxulas para conseguir atravessar seu navio por cima de uma montanha para realizar seu intento. O navio sendo puxado ao som de Caruso é algo. Não sei bem o que pensar, de fato. Mas acho que é daqueles filmes que não se precisa pensar algo a respeito: é apenas necessário assistir.

2 comentários:

Jonas Lopes disse...

Werner Herzog é Deus :)

Rodrigo disse...

Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.