terça-feira, 30 de outubro de 2007

A ópera da tropa - parte 2

Impressionante: quanto mais eu penso, mais coisas vejo no Tropa de Elite. E mais coisas vejo no que as pessoas viram em Tropa de Elite. Dá pra analisar o filme como um fenômeno pop, como fez a Bravo! que acabou de chegar às bancas. E dá pra analisar do ponto de vista da jornada do herói, mostrando como o Nascimento é, na verdade, um anti-herói. Segundo o Nasi, que entende mais desses riscados, isso se mostra no treinamento do BOPE: um treinamento deformado gera um herói deformado, um anti-herói, uma distorção. É como a formação do Humbert Humbert, do Lolita. O público torce por Nascimento mesmo discordando de suas práticas, como gosta de um Dirty Harry, de um Charles Bronson, dos mafiosos de O Poderoso Chefão, porque ele é o protagonista, não é raso, tem carisma e dubiedades.
E é essa falta de heróis, esse sistema falido de todo lado, que o filme mostra: de um lado, você tem os corruptos; do outro, um policial que se acha honesto, mas é um torturador. Esse cara não é amigo do morador da favela, como também não é o traficante. O morador da favela tá sozinho: não tem trafica, polícia, ONG ou governo que ajude. E mais: não tem luz no fim do túnel.
O Brasil, meu amigo, só parando e começando de novo.

p.s.: o Lenhart indicou um belo artigo da Jade sobre o filme. Pra quem também estiver nessa pilha...

Um comentário:

Sérgio Codespoti disse...

Jeanne, eu só diria que a distorção que deforma os heróis (ou anti-heróis) e a dos valores, como a ética, que parece estar fora de moda. isso reflete tanto no público quanto em seus personagens preferidos.
Por outro lado a humanidade sempre se mostrou fascinada por seus monstros e vilões (César, Átila, Landru, o estripador, etc...)