quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Presente

As flores explodem nos meus olhos, cores e traços delicados. Como muitas coisas que fazem parte da minha vida hoje em dia, elas não são reais. Não no sentido de que eu possa tocá-las, cheirá-las, apertá-las. Só posso aproveitá-las com um sentido, a visão. Elas são virtuais e brotam na tela do meu computador, resultado de um gesto de carinho espontâneo. Como a figurinha de uma super-heroína que ilustra meu msn, que meu namorado salvou e me mandou, só pra fazer par com a dele, de super-herói. Essas coisas me fazem pensar: carinho não tem molde, não. Não tem formato preestabelecido. E eu gosto.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Paris é uma festa



Estive de férias. Estive em Paris.

Não preciso dizer que me apaixonei por Paris. Ao contrário do que eu imaginava, ela bateu lentamente, com suavidade, e foi me encantando aos poucos, nos detalhes. Na torre onipresente, que, como se não bastasse, ainda pisca a cada hora cheia, nos lembrando de que a cidade é, sim, uma sempre-festa. Na festa do beaujolais nouveau, no túmulo de Proust no Père-Lachaise, nas baguetes e nos crepes. Tanto me cativou que achei difícil ir para Londres, depois. Londres, tão sem arestas, bruta, urbana, real. Mas a realidade de Londres, também, bateu. Com força, com ímpeto, com os mercados de Camden Town e Shoreditch, com as ruazinhas de Notting Hill, com o metrô velho e sisudo, uma instituição. Depois disso, Amsterdã foi uma tranqüila volta pra casa. Os trams, as bicicletas, Van Gogh. Wok to walk. Gostei, de novo. E vou voltar.
Quem quiser ver as fotos, tá aqui.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Green is the new black

Descobri o Blackle, o site que um cara fez que imita o Google, com a única diferença de ter fundo preto. A idéia é simples: sites de fundo claro necessitam de mais energia para ser exibidos que os escuros. Se o Google, um site tão acessado, trocasse sua cor de fundo, 750 mega watts/hora por ano seriam economizados. Legal, né?

Aí gostei da idéia e resolvi deixar esse blog pretinho básico, bem na moda. Não sei se prejudica a legibilidade - acho até que descansa a vista - mas vou testar. Nesse caso, o preto é verde. E verde, como vocês sabem, é o novo preto.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Uma nova forma de ler *


Saiu na Newsweek dessa semana: a livraria virtual Amazon lançou o Kindle, um e-reader, ou seja, um aparelho para ler livros de forma digital. A notícia espantou até mesmo quem já esperava que algo do tipo surgisse a qualquer momento.

Outros aparelhos de leitura de texto já tinham surgido antes, mas o Kindle é diferente. Ele reúne algumas das características de e-readers anteriores, como o tamanho, parecido com o de um livro; a tela, feita com uma tecnologia especial em que as letras não refletem, ou seja, é bem parecido com as páginas foscas de um livro de verdade; a leveza e a portabilidade, além da possibilidade de aumentar o tamanho das letras. Mas o Kindle traz mais: conexão com a internet o tempo todo, ou seja, um livro pode ser atualizado a cada minuto. Os autores podem corrigir erratas instantaneamente. Os leitores podem pesquisar outros livros sobre o assunto, ver o que há de parecido, checar reportagens sobre o tema. Dá pra clicar em uma palavra e abrir a Wikipedia ou um dicionário, por exemplo. E o dispositivo permite baixar jornais e revistas. Assim que a edição vai para a gráfica, ela carrega instantaneamente no aparelho. Mais rápido que ir para a internet ver as notícias...

O aparelho, é claro, não é perfeito. Custa, por enquanto, $400, o que é bem carinho. Os livros virtuais são vendidos na Amazon por $9,95, o que não é tão pouco assim, e não dá para comprar livros virtuais em outros lugares; nesse caso, o jeito é salvar em word e mandar para o aparelho. Além disso, o Kindle não é maleável, como devem ser novos dispositivos do tipo no futuro. Mas ele é um passo enorme em relação ao que se tinha, e pode acelerar a mudança na maneira como as pessoas lêem. Eu acredito que isso pode levar as pessoas a lerem mais, a se empolgarem novamente com a literatura. E é emocionante pensar na maneira como isso vai afetar os autores: será que a maneira de escrever vai mudar, com as possibilidades de alterar o texto o tempo todo? Será que os livros serão escritos coletivamente, em público? As pessoas se sentirão incentivadas a interferir em obras clássicas e criar novas versões (de uma forma parecida com a que fãs de Harry Potter criam histórias alternativas do bruxinho e distribuem na rede)?

Para o livro infantil, as possibilidades são também grandes. Existe um obstáculo para a migração total para o meio digital, que é o fato de o livro infantil não ser só texto, mas o perfeito casamento entre texto e imagem, as belíssimas ilustrações criadas por artistas. Isso será mais difícil, se não impossível (isso vale também para obras adultas, que, acredito eu, só serão vendidas em papel à medida que conseguirem se constituir como fetiches, como objetos de desejo palpáveis). Tem a coisa do livro-objeto, de a criança morder, rabiscar, olhar que não dá pra trocar, ao menos na maneira como os e-readers são concebidos hoje.

Por outro lado, com a evolução da tecnologia, podem surgir aparelhos especiais para literatura infantil, com telas maiores e coloridas, com material seguro de a criança brincar e deixar cair. E existe a maravilhosa possibilidade das histórias-sem-fim: como os livros nunca se fecham, podendo ser atualizados não só para corrigir erros, mas para colocar novos finais e estender a história, os autores podem continuar a escrever infinitamente. A cada semana, uma nova aventura da bruxa Creuza pode entrar automaticamente no seu aparelho. Podem ser criadas novelinhas, como novos capítulos toda semana. E o Kindle vem com uma caneta especial em que você pode "anotar" nas margens dos livros e gravar, ou seja, a criança pode interferir na obra, escrever, desenhar. Sem contar a facilidade de se levar vários livros ao mesmo tempo. Seria o fim das pesadas mochilas escolares, pesadelo dos pais que ninguém sabe como resolver. E imagine em uma viagem. Daria para levar toda a coleção do Monteiro Lobato de uma só vez. Sem peso, sem stress, muitas opções. Nas pesquisas escolares, o mundo ideal: todas as enciclopédias acessíveis a um clique. Parece bom demais, mesmo que não substitua todos os livros.

Por que amamos os livros? Os livros de papel, com cheiro de tinta e tudo? Porque eles nos fazem lembrar das maravilhosas sensações que ler proporciona, dos milhares de mundo que visitamos. À medida que essa mesma relação se criar com o aparelho digital, será possível também lembrar com carinho de um reader como o Kindle, porque, afinal, amamos as palavras, as idéias. O papel é amado por extensão, por ser o meio em que acessamos esses mundos maravilhosos. Como, talvez, sejam os e-readers no futuro. E qualquer coisa que nos faça amar mais ainda essas idéias e mundos, para mim, é bem-vinda.

* texto que escrevi para o blog Ler para Crescer, da Cris, na Crescer.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Psicologia donjuanesca

"Sou tão viciado em mulher que acendo uma na outra."

A revolução da cor e do amor

O blog Colour Lovers: fight for love in the colour revolution traz um belo post sobre o uso artístico dos post-its. Não é lindo?